Ciúmes do irmãozinho

Ciúmes do irmãozinho

A chegada de um irmãozinho costuma causar ciúmes na criança

Diz-se que, do segundo filho em diante, os pais já não ficam tão aflitos como quando da chegada do primeiro bebê. Afinal, os cuidados não são mais novidades. Choro, fralda, mamadeira, já estão familiarizados com tudo. Mas o segundo filho traz, sim, uma nova experiência: trata-se de um irmãozinho que seu filho ou filha, até então, não tinha. Muito provavelmente serão grandes amigos, mas no começo pode rolar um ciúme do papai e da mamãe.

– Não há como afirmar que todas as crianças terão o mesmo grau de ciúmes, de sofrimento ou que reagirão da mesma forma. Mas é normal que a criança demonstre ciúmes com a chegada do irmão. É um novo momento em que a criança começa a experimentar sensações desconhecidas. É importante que os pais e a família mantenham um diálogo, informando sobre chegada do irmão, mas valorizando a importância do irmão mais velho de forma afetiva e acolhedora. Uma outra dica é incluir o primogênito desde a gestação, os preparativos do quartinho, o nascimento, os primeiros cuidados etc. Além disso, é importante esclarecer que o bebê chora não porque é chato e sim porque é pequeno e não sabe falar. O primogênito precisa se sentir incluído na família nessa transformação, e não parte excluída – orienta a psicóloga clínica, Marina Lanzellotti, coordenadora do núcleo de infância e adolescência, da Clínica Núcleo Integrado.

A manifestação do ciúme também costuma ser diferente de acordo com a idade que separa um irmão do outro.

– Segundo alguns especialistas, a diferença de idade entre os irmão influência e muito no ciúmes. Pesquisas apontam que a diferença menor de 18 meses já proporciona ciúmes porque o primogênito não entende exatamente o que está acontecendo. Se a diferença for maior que dois anos, a rivalidade é quase sempre extrema já que o primogênito tem noção que o “bebê ameaça e afeta” sua segurança. O ciúme é menos provável quando a diferença é de três anos ou mais já que com esta diferença a vida do mais velho não será diretamente “afetada” pela presença do bebê e, provavelmente, ele se sentirá orgulhoso de ter um novo membro na família. Por outro lado, apesar do ciúmes ser menor neste faixa etária, ainda pode ser intenso. A criança pode querer competir pela atenção dos pais. Ou seja, ela tem idade suficiente para fazer comparações, mas não está madura o bastante para entender que os bebês precisam de mais cuidados – explica a psicóloga.

O maior cuidado que a família deve ter, destaca Marina, é respeitar as diferenças entre os irmãos e não fazer comparações entre as crianças:

– O principal erro cometido inicialmente pelas famílias são as comparações desnecessárias. É importante estimular o amor e os laços de afeto entre os irmãos, evitando certas comparações como: “O bebê mama mais que você”, “o bebê nasceu maior que você”, “o bebê é mais bonzinho que você”, “você era muito chorão”. Pais e familiares devem sempre estimular o afeto, pois isso vai estimular o amor e cumplicidade entre os irmãos.

Dificilmente, o comportamento de uma criança não muda com a chegada do primeiro irmãozinho. Mas com paciência, amor, atenção, carinho, tudo tende a se resolver da melhor maneira.

– Sentir ciúmes é normal. A probabilidade do primogênito receber seu irmãozinho com raiva e agressividade é esperada. Mas, os pais devem ter atenção neste período. Não diga para a criança que ela está sendo feia ou má. Mostre que a atitude não está correta, que o irmão precisa de amor e carinho. Os pais também não devem se exaltar. As birras vão aparecer porque há uma necessidade natural de chamar atenção dos pais. A chegada do irmão favorece um turbilhão de emoções. É provável que o primogênito demonstre sua frustração ou angústia por meio de birras e choros por algumas situações banais. Outras crianças podem demonstrar raiva, agressividade, alteração no sono, na alimentação, no controle das fezes e urina. Os pais devem procurar ajuda profissional se perceberem que o filho está com um sofrimento que vai além do ciúmes, que está afetando o emocional dele – afirma Marina Lanzellotti.

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