Quando o assunto é violência contra a mulher, surge uma pergunta importante: Como estamos educando nossos meninos? Sim, se quisermos falar de segurança e equidade de mulheres, precisamos pensar (e trabalhar) a educação emocional dos homens. “A construção dos estereótipos de gênero, do que se espera do menino, da menina, das responsabilidades e das expectativas atribuídas para um e para outro começa na infância”, destaca a psicóloga e especialista em educação socioemocional Luana Menezes.
Essa foi uma das reflexões do Ella Lidera Rio, evento que aconteceu em várias cidades para discutir liderança feminina, desenvolvimento humano e os desafios para construir relações mais igualitárias. Criado em 2019 com o propósito de fortalecer o empreendedorismo e liderança feminina, o movimento Ella Lidera promove uma série de atividades voltadas às mulheres. Mas na edição deste ano, realizada em agosto, os homens foram convidados a participar, o que, segundo Luana, foi bastante positivo.
Homens participam de palestras sobre combate à violência contra mulheres
A presença dos homens reforça a importância da participação efetiva de toda a sociedade quando o assunto é segurança feminina.
– Inclusive, aqui no Rio de Janeiro, eu palestrei sobre educação emocional masculina como forma de combatermos a violência e favorecer relações mais conscientes e empáticas. E homens estarem ali para ouvir, refletir e dialogar é fundamental, pois essa construção deve ter a dedicação de todos e todas – avalia a psicóloga.
A necessidade de discutir os caminhos da educação de meninos na infância fica ainda mais evidente quando se constata a violência contra a mulher praticada por jovens e mesmo adolescentes.
– Infelizmente pesquisas recentes apontam o aumento de conteúdos e memes misóginos. Grupos de meninos e jovens que se reúnem com esse tipo de comportamento vem aumentando e isso mostra um cenário de famílias que estão deixando esse espaço aberto da internet sem vigilância e ausência de diálogo com seus filhos. Muitas famílias ainda reproduzem comportamentos machistas naturalizados, comportamentos que são maléficos para os meninos, prejudicando a sua relação com os outros à sua volta e às meninas – afirma Luana.
Educação emocional pode diminuir a violência contra mulheres no futuro
Para ela, o caminho está na educação emocional, isto é, na forma como família, escola e outras instituições socais orientam e, principalmente, acolhem os sentimentos das crianças.
– Um dos maiores erros na educação das crianças é desrespeitar os seus sentimentos; repreender a expressão dos seus afetos, principalmente a tristeza e raiva; incentivar a se defender reagindo com violência física (principalmente no universo masculino). Essas atitudes prejudicam a construção da empatia que é um dos pilares da inteligência emocional. Precisamos fazer o caminho oposto disso se quisermos uma população com mais consciência, empatia e equilíbrio emocional, dando espaço para a expressão dos seus sentimentos, incentivando a criança a falar sobre eles, conversar também sobre assuntos difíceis que envolva mudanças, perdas, lutas, dando espaço para a fragilidade não só da criança, mas do adulto também se permitir sentir junto com a criança – ressalta.
Foto em destaque: Imagem de Michal Jarmoluk por Pixabay

