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Cuidados com a pele do bebê – negra ou branca

Toda pele precisa de cuidados e merece atenção, principalmente a de bebês. Mas será que isso se diferencia de acordo com a tonalidade da pele do neném? De acordo com o médico Cauê Cedar, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), não há diferenças nos cuidados necessários à pele do bebê negro ou branco, mas é preciso estar atento a qualquer reação que ela possa apresentar. 

– O que há diferença é como a pele pode reagir a cada tipo de produto e, sobretudo, como problemas de pele podem se manifestar com tonalidade, textura ou aspecto divergentes. A pele das crianças ainda está em processo de maturação, o que a torna mais suscetível a irritações e dermatites. Nessa fase, há maior risco de perda de água e também uma absorção mais intensa de substâncias através da pele, somada à baixa atividade das glândulas sebáceas e à imaturidade do sistema imunológico. Por isso, torna-se fundamental proteger a integridade da barreira cutânea, preservando sua permeabilidade e equilíbrio do pH. Alterações nesses fatores podem favorecer o surgimento de condições como dermatite atópica e dermatite de contato – diz o dermatologista. 

Sabonetes e cremes para assadura costumam ser eficazes para a higiene e proteção tanto para pele branca quanto negra. Mas é fundamental ter atenção aos rótulos de todo e qualquer produto destinado a bebês e crianças. 

– As orientações para os produtos infantis independem da tonalidade de pele. Para ter certeza da qualidade do produto, a primeira providência é procurar o número de registro na embalagem. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é responsável pelo registro de produtos cosméticos, incluindo os infantis. As crianças devem utilizar apenas produtos infantis, pois são elaborados de forma a manter as características da pele da criança. Alguns produtos são dermatologicamente testados ou hipoalergênicos; isto significa que foram testados sob o controle de médicos dermatologistas, o que reduz o risco de surgimento de alergia. É necessário verificar ainda se o produto é adequado à idade da criança. Mesmo assim, após cumpridas estas checagens iniciais, é importante buscar orientação com o dermatologista e/ou com o pediatra sobre os produtos a serem utilizados. Quanto mais precoce a exposição a diferentes produtos, maior a chance de sensibilização, ou seja, maior a chance de desenvolver irritações e alergias – alerta o médico.

Cuidados para a pele e cabelo do bebê

Na fase de bebê, os fios de cabelo podem apresentar diferenças, sendo uns mais crespos e outros mais lisos. Ainda assim, só passam a exigir cuidados distintos de acordo com o crescimento das crianças. 

– Nas fases iniciais da vida, não há diferença de cuidados e os produtos podem ser os mesmos. Há muito do marketing de produtos envolvido no processo. Conforme a criança vai crescendo e o cabelo ganha forma e volume, produtos específicos podem ser interessantes no sentido de respeitar o funcionamento natural de cada tipo de fio. Em termos de saúde do fio, os cabelos crespos são mais secos, frágeis e propensos ao frizz e quebra, devido à distribuição irregular de queratina e à dificuldade da oleosidade natural do couro cabeludo percorrer a fibra. Por outro lado, os cabelos lisos possuem uma cutícula mais fechada, permitindo a distribuição mais fácil da oleosidade, resultando em fios mais resistentes, mas com tendência a ficarem mais oleosos na raiz – explica Cauê Cedar.

Para os nenéns, os cuidados com os cabelos devem ser mais voltados para a higiene e bem-estar: 

– Nos primeiros dias de vida, é normal que o bebê apresente certa oleosidade no couro cabeludo, decorrente da influência dos hormônios maternos. Por isso, a lavagem diária pode ser indicada para garantir a higiene e evitar o acúmulo de impurezas. Contudo, essa frequência deve ser adaptada conforme o clima, a textura dos fios e a reação da pele ao cuidado adotado. De forma geral, recomenda-se o uso de shampoo neutro, livre de fragrâncias e corantes artificiais; condicionador suave, quando necessário, especialmente para bebês com fios mais longos ou cacheados, facilitando o desembaraço; além de óleos ou cremes naturais nos casos de ressecamento – orienta o médico. 

Segundo Cauê Cades, desde os primeiros dias de vida, a escolha dos produtos de higiene deve sempre priorizar a segurança, incluindo os itens para os cabelos: 

– É essencial observar o pH e as propriedades das formulações, evitando substâncias potencialmente nocivas que possam provocar ressecamento, irritações, alergias ou até ardência ocular. Muitos cosméticos disponíveis no mercado, inclusive alguns voltados ao público infantil, ainda utilizam ingredientes como parabenos, ftalatos e fenoxietanol, que podem causar reações adversas, coceiras e até problemas mais sérios com o uso contínuo. Por isso, é fundamental que todos os produtos destinados ao bebê tenham registro e aprovação da Anvisa, mesmo quando formulados à base de ingredientes naturais.

Os cuidados com pele e cabelo na adolescência

E mesmo para os mais crescidinhos não é recomendado o uso de produtos químicos nos cabelos.

– A utilização de produtos químicos nos cabelos de crianças e adolescentes deve ser postergada ao máximo. Especialistas e órgãos reguladores indicam que a idade mínima para esse tipo de procedimento é a partir dos 12 anos, sempre com produtos seguros e sob orientação profissional. A exposição precoce pode trazer riscos à saúde infantil, e, em muitos casos, a recomendação é aguardar até o fim da adolescência, quando há maior maturidade para lidar com os cuidados necessários – afirma o dermatologista, explicando o porquê da restrição – O couro cabeludo das crianças é mais delicado e pode apresentar reações alérgicas importantes diante do uso de substâncias químicas. Além disso, tanto o couro cabeludo quanto os fios ainda estão em processo de desenvolvimento, e esses produtos podem interferir no crescimento e na estrutura natural do cabelo. Não há garantias de segurança para o uso precoce, e os efeitos a longo prazo permanecem pouco conhecidos.

Mas quando chega a adolescência chega também a vaidade, e é comum meninos e meninas começarem a usar cosméticos a seu gosto. 

– Embora as redes sociais possam ser uma fonte de informações valiosas, consultar um dermatologista é a melhor forma de garantir que as necessidades específicas de cada criança e adolescente sejam atendidas de forma segura e eficaz. Não é necessária uma rotina complexa. O básico bem feito é um ótimo começo. Lavar, hidratar e proteger devem fazer parte da rotina de todas as pessoas e, durante a adolescência, é importante incorporar a rotina de autocuidados como forma de estimular a autonomia e o conhecimento sobre o próprio corpo. Para a higiene da pele, sabonetes líquidos, preferencialmente, com substâncias que limpem sem agredir a pele são essenciais. Ou seja, produtos que respeitem a barreira cutânea – destaca o especialista.

E isso vale para brancos e negros. O que muda, em muitos casos, é a escolha dos produtos mais adequados à pele de cada pessoa. Por isso, a importância de avaliação e/ou acompanhamento de um dermatologista. 

– De forma geral, a pele negra apresenta maior concentração de melanina e maior atividade dos melanócitos (células responsáveis por sua produção), o que garante uma proteção natural mais eficaz contra a radiação solar, mas também pode favorecer o desenvolvimento mais fácil de manchas na pele negra. Além disso, é comum que pessoas negras tenham a pele corporal mais seca e a facial mais oleosa, embora isso varie individualmente. Por esse motivo, costuma ser necessário utilizar produtos específicos para hidratar o rosto e o corpo. Daí surgem os cuidados adaptados. Todos, independentemente da tonalidade de pele, devem higienizar com um sabonete adequado, usar um hidratante também ajustado às características próprias e fazer uso diário do protetor solar. A questão é a indicação de cada produto e a adaptação cosmética. Negros, por exemplo, encontram dificuldade em achar um protetor solar que não deixe fundo esbranquiçado ou até mesmo um protetor com cor ajustado para a sua tonalidade de pele.  

Confira outras orientações do dermatologista Cauê Cedar para pele e cabelo dos bebês

Couro cabeludo – “Alguns bebês podem apresentar descamações no couro cabeludo conhecidas como crosta láctea, ou dermatite seborreica. Essa condição se caracteriza pelo surgimento de casquinhas que se soltam da pele e podem ter tonalidade amarelada ou acinzentada. Embora a causa exata não seja totalmente compreendida, acredita-se que alterações hormonais transmitidas pela mãe durante a gestação ou amamentação estimulem as glândulas sebáceas do bebê. A forma mais indicada de remoção é aplicar suavemente óleo infantil ou óleo de amêndoas com algodão no couro cabeludo, cerca de 30 minutos antes do banho”.

Sabonete – “Dermatologistas recomendam o uso de shampoos específicos para bebês, enquanto alertam que sabonetes em barra devem ser evitados, já que contêm maior concentração de detergentes e substâncias capazes de causar alergias na pele sensível do bebê”.

Foto em destaque: Imagem de one_life por Pixabay

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