As crianças ainda estão curtindo as férias, mas o orçamento familiar já sente os impactos da volta às aulas. A esta altura você já deve estar fazendo pesquisa (e contas) para a compra do material escolar, não é? Saiba que esta é uma boa oportunidade de praticar a educação financeira com os filhos. Para Victor Savioli, cofundador da plataforma de empréstimo pessoal Velotax e especialista em finanças, as crianças devem participar deste momento, não apenas para fazer as escolhas de suas preferências, mas para vivenciarem lições de economia na prática.
Embora a educação financeira esteja presente nas salas de aula – é tema transversal obrigatório pela BNCC (Base NacionalComum Curricular) -, Savioli destaca a importância da prática:
– A escola ensina a teoria, mas é no corredor da papelaria que a criança entende o valor das escolhas. Quando os pais assumem sozinhos a compra para evitar conflitos, eles privam os filhos de uma lição essencial sobre priorização – explica o especialista, recomendando a participação das crianças na hora das compras – é uma excelente estratégia, pois ensina desde cedo noções de planejamento, autocontrole e responsabilidade financeira. Ao combinar um limite de gastos antes da compra, os pais ajudam a criança a entender que o dinheiro é limitado e que é preciso fazer escolhas, uma lição que vai muito além das compras – afirma.
De acordo com Savioli, o envolvimento da criança com questões relacionadas ao dinheiro deve começar cedo e em casa. Estabelecer uma meta de gastos, mostrar a importância do reaproveitamento, estimular o consumo consciente, tudo isso ajuda na organização da economia doméstica.
– Educação financeira para crianças não é sobre planilhas, é sobre o custo de oportunidade. Se estabelecemos um orçamento junto com a criança e damos a ela a responsabilidade de escolher entre o item de marca ou o item funcional, estamos formando um adulto com consciência crítica. Uma outra dica interessante é vender itens do ano anterior nas plataformas online e aproveitar esse dinheiro da revenda também. O material escolar é o primeiro contato do indivíduo com a gestão de um orçamento real – reforça o executivo.
Transforme a lista de materiais em um projeto compartilhado
As crianças podem e devem fazer pesquisa de preço. Ao dar aos pequenos a missão de encontrar o melhor custo-benefício, os pais deixam de ser apenas “pagadores de contas” e se tornam mentores do futuro financeiro de seus filhos.
– Para definir o valor máximo (de gastos), os pais devem considerar o orçamento familiar, o custo-benefício de cada item e o uso real que a criança fará dele. O mais importante é envolver a criança nesse processo: explicar o porquê do limite e deixar que ela participe da decisão desenvolve senso crítico e autonomia – diz o analista financeiro.
Educação financeira para crianças – Fuja das armadilhas do consumo
Um pouquinho mais complicado é convencer a criança (e muitos adultos) de que nem tudo o que queremos é o que realmente precisamos. Os itens escolares acabam sendo uma forma de expressar identidade: o tema da mochila, a capa dos cadernos, a marca das canetas…Mas a educação financeira precisa passar, necessariamente, pelo reconhecimento dessas armadilhas de consumo.
– O principal desafio é ensinar a criança a não confundir necessidade com desejo. O marketing trabalha justamente para criar vontades novas o tempo todo, fazendo com que o “antigo” pareça ultrapassado. Cabe aos pais mostrar que um material em bom estado continua servindo perfeitamente, e que não é porque algo é novo que é melhor. Quando a criança pede algo apenas por modismo, é uma ótima oportunidade educativa: explique como funcionam as estratégias de marketing e incentive-a a buscar alternativas criativas, como personalizar um caderno ou até vender algo antigo para custear a nova compra. Assim, ela desenvolve consciência e responsabilidade em relação ao próprio consumo – orienta Victor Savioli.
Educação financeira inclui esclarecimento sobre consumo consciente
Quando se fala em educação financeira muitos podem associar apenas a estratégias de ganhar e economizar dinheiro. Não se trata de acúmulo de capital, mas de utilização responsável de recursos.
– A educação financeira na infância é fundamental para formar adultos mais conscientes e responsáveis com os recursos. Quando a criança aprende a reutilizar materiais, doar o que não usa mais e evitar desperdícios, ela entende que cada consumo tem impacto no bolso, nas pessoas e no meio ambiente. Ensinar desde cedo o valor de cuidar, reaproveitar e compartilhar é a base para uma sociedade menos impulsiva e mais sustentável, onde o consumo deixa de ser sinônimo de felicidade e passa a ser uma escolha consciente – avalia Savioli.
O Quem Coruja sempre valorizou a educação financeira e você pode ler mais a respeito em Educação financeira começa na infância, Investindo no futuro, e outras matérias publicadas sobre o tema neste site.
Foto em destaque: Imagem de Gábor Adonyi por Pixabay

