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Maio Laranja – Mês de combate ao abuso e à exploração sexual infantil

Um mês inteiro dedicado a dar visibilidade a um problema que ainda está na sombra, e que assombra crianças e adolescentes: a violência sexual. A campanha Maio Laranja alerta para a importância do envolvimento de toda a sociedade no combate ao abuso e exploração sexual infantil, o monstro que não é imaginário, e pode sim, estar dentro do quarto, do computador, da casa de um conhecido da família… Um monstro capaz de transformar gritos de pavor em silêncio.

– Muitas vezes, o abuso e a exploração sexual infantil ocorrem no ambiente familiar ou por pessoas próximas à criança, o que dificulta a identificação e a denúncia. A falta de informação e o medo podem impedir que as vítimas busquem ajuda e que os responsáveis percebam os sinais de alerta. Por isso, é tão importante alertar e informar sobre essa triste realidade – diz o médico pediatra Antonio Carlos Turner, diretor técnico da rede de clínicas Total Kids.

Tanto o abuso quanto a exploração sexual podem se dar de várias maneiras. Nem sempre é fácil perceber e identificar o problema. Mas estar atento a alguns sinais pode fazer a diferença.

– Mudanças repentinas de comportamento (isolamento, agressividade, medo excessivo), dificuldade de relacionamento com pessoas próximas, regressão a comportamentos típicos de idades anteriores (chupar o dedo, fazer xixi na cama), queixas físicas sem causa aparente, especialmente na região genital ou anal, conhecimento sexual precoce e inadequado para a idade, medo ou recusa em ficar sozinho com certas pessoas, desenvolvimento de ansiedade, depressão ou outros problemas emocionais são alguns dos sinais de que a criança pode estar sendo vítima desse tipo de crime – alerta o médico.

O envolvimento da sociedade, como um todo, é fundamental para a proteção da criança. Se a agressão vem de fora, a família precisa ser o porto seguro da criança ou adolescente. Se a violência vem de casa, escola e vizinhos podem ser a ajuda que a vítima precisa.

– A proteção da infância é um compromisso coletivo e começa com informação, escuta e coragem para agir – afirma a pedagoga Mariana Ruske, destacando o papel da escola no combate a esse crime. – É onde a criança passa a maior parte do tempo. Muitas vezes, é no comportamento dentro da sala de aula que os primeiros sinais aparecem. Os educadores devem ser capacitados não apenas para identificar, mas para acolher – avalia.

Suspeitas de abuso sexual devem ser notificadas. E as denúncias podem ser feitas, inclusive, anonimamente pelo Disque 100.

– O abuso sexual infantil envolve qualquer ato sexual com uma criança ou adolescente, utilizando-se de coerção, ameaça, manipulação ou aproveitando a sua vulnerabilidade e imaturidade. A exploração sexual, por sua vez, engloba situações em que crianças e adolescentes são utilizados para fins sexuais em troca de benefícios ou para satisfação de terceiros. Ambas as formas de violência deixam marcas profundas e duradouras nas vítimas – ressalta o pediatra Antonio Carlos Turner.

Os cuidados devem se estender ao mundo virtual. O perigo na Internet é real, e é importante monitorar o uso de redes sociais e sites acessados. A escuta também é fundamental. A melhor forma de ajudar a criança ou adolescente é fazendo com que se sintam seguros, acolhidos e respeitados. Acreditar no relato, não pressionar por detalhes, e procurar ajuda de órgão competentes e profissionais especializados são essenciais.

Violência Sexual – Informação é prevenção

A educação sexual ainda causa polêmica, com interpretações variadas de viés político e/ou religioso, mas o conhecimento é a melhor defesa que a criança pode ter.

– Educação sexual não erotiza. Ao contrário, fortalece as crianças, ensina sobre os próprios limites e ajuda a identificar situações abusivas – afirma Mariana Ruske, idealizadora da Senses Montessori School.

Segundo a pedagoga, a educação sexual infantil deve começar cedo, de forma lúdica, respeitosa e baseada no vínculo familiar. Confira as estratégias que Mariana recomenda serem incorporadas ao dia a dia:

– Ensinar que partes íntimas têm nome e ninguém deve tocá-las sem permissão;
– Incentivar a criança a contar tudo que a deixa desconfortável;
– Estimular o “círculo de confiança”: adultos em quem ela pode confiar;
– Orientar que segredos sobre o corpo não devem ser guardados;
– Reforçar que ela será ouvida e protegida sempre.

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