Abortos de repetição devem ser investigados

Abortos de repetição devem ser investigados

Médico fala de algumas causas de aborto e lembra que há vários tratamentos para combater o problema  

Tão intensa como a alegria de ter a confirmação da gravidez desejada é a dor de perder o bebê antes mesmo de ver a barriga crescendo. E não são poucas as mulheres que passam pela dolorosa experiência do aborto nas primeiras semanas de gestação. Os motivos são diversos, e, muitas vezes, não impedem uma nova gravidez. Em outros casos, pode acontecer o que se chama de aborto de repetição, quando o abortamento ocorre mais de três vezes consecutivas no primeiro trimestre. Este tipo de situação é considerado infertilidade, mas pode ser tratado.

– Infertilidade é a incapacidade da mulher engravidar e gerar filhos (nascer filhos vivos). Aborto de repetição é uma causa de infertilidade e tem que ser investigado. Mulheres acima de 40 anos vão ter causa de infertilidade muitas das vezes por aborto de repetição devido à questão genética e à taxa de abortamento que é comum da idade. Já mulheres mais novas terão abortos mais correlacionados à aborto imunológico e isso tem que ser investigado – explica Rodolfo Salvato, ginecologista e obstetra especialista em Reprodução Humana.

Segundo ele, há muitas formas de tratamento, e por isso é importante que as mulheres tenham os diagnósticos corretos.

– A gente precisa saber a causa e aí combater a questão. Há causas imunológicas e causas genéticas. Quando a causa é genética, o aborto é mais no início, com até cinco, seis, sete semanas. Quando é por algum problema imunológico, o aborto é mais tardio. Não tem como falar de todas as causas e todos os tratamentos, são inúmeros – lembra o médico.

Quanto mais idade a mulher tem, maior são as chances de abortamento. Segundo o ginecologista, aos 28 anos, a taxa de abortamento está em torno de 10% a 20%, e aos 40 anos, em torno 50% a 60%. Mas, independentemente da idade, muitas mulheres preferem não anunciar a gravidez logo no início. O cuidado, segundo o médico, não é sem razão:

– No primeiro trimestre, o risco de abortamento é maior. A maioria das mulheres não quer dar a notícia aos seus familiares. É muito mais constrangedor dar a notícia de que engravidou e a de que abortou, do que depois falar “eu engravidei e abortei”. Então, a maioria prefere não gerar expectativa de uma coisa que talvez não vá para frente. E muitas temem que o aborto aconteça. Mas não tem como estimar com que frequência acontece. Isso está crescendo cada vez mais e não tem como colocar porcentagem nisso.

Mesmo mulheres que já são mães podem sofrer abortos quando tentam outra gravidez. Nesse caso, a idade pode contar. Ainda assim, é sempre importante ter uma avaliação médica.

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