Educação

Alfabetização: o que ajuda e o que atrapalha

Pedagoga destaca a importância da família, mas lembra o quanto é prejudicial a cobrança inadequada

Toda fase da infância tem seu charme. E cada descoberta da criança é uma alegria para os pais. Mas ver os pequenos começar a ler e a escrever é, sem dúvida, um dos momentos marcantes do desenvolvimento, como são os primeiros passos e as primeiras palavas. O processo de alfabetização, no entanto, nem sempre é fácil. Ler e escrever não é algo automático e o aprendizado requer tempo, dedicação e paciência, principalmente dos adultos. O mais importante é entender o que é estímulo e o que é cobrança, pois as duas atitudes podem ter resultados bastante diferentes.

– A cobrança inadequada pode transformar um processo de leitura em momentos de tortura e causar à criança falta de interesse em buscar caminhos facilitadores para descobrir meios para chegar à leitura. A criança deve ter contato com a leitura desde cedo, através de atividades que vão incentivar o aluno a pensar sobre a escrita, tornando-a um objeto curioso a ser explorado – orienta a pedagoga e diretora de escola, Cláudia Seixas.

A educadora destaca a importância do apoio da família no processo de alfabetização, mas lembra que o papel formal de ensinar a ler e a escrever deve ficar com a escola. Ler para as crianças, familiarizá-las com livros, deixá-las criar livremente suas próprias histórias pode ser muito mais benéfico do que fazê-las decorar o alfabeto.

– Os pais não devem se preocupar em ensinar formalmente a criança a ler e a escrever, essa função é do professor. A criança que cresce em constante contato com a leitura e a escrita acaba se apropriando da língua escrita de maneira mais autoral e adquirindo experiências que vão fazer a diferença na hora de ela aprender a ler e a escrever efetivamente. Isso explica o fato de, numa mesma sala de 1º ano, professores se depararem com algumas crianças praticamente alfabetizadas e outras que sequer entendem a função do bilhete na porta da geladeira ou que a linguagem escrita se relaciona com a oral, porque viveram experiências muito discrepantes em casa. A família pode ajudar a criança, contribuindo para esse processo de inserção no mundo letrado, criando um ambiente para a criança repleto de atos de leitura e escrita, de forma a inseri-la desde cedo no mundo das letras. Ou seja, deixar o espaço de convivência da criança mais alfabetizador. E isso é fundamental para o aprendizado – avalia Cláudia.

É sempre bom lembrar que, como toda fase de desenvolvimento, cada criança terá seu próprio tempo no processo de alfabetização. Espera-se, no cronograma escolar, que alunos do primeiro ano, aos 6 anos, aprendam a ler e a escrever. Mas não é tão simples assim.

– De um modo geral, as escolas determinam que as crianças vão aprender a ler no primeiro ano (6 anos). O processo de alfabetização tem um longo caminho que vai muito além do primeiro ano. O objetivo deve ser o de desenvolver o comportamento leitor para que os alunos se comuniquem bem, produzam conhecimentos e acessem informações – explica a pedagoga.

Por tantos motivos, é imprescindível acompanhar de perto e com interesse esta fase de descoberta, e ter o cuidado de não acabar desestimulando a criança com cobranças desmedidas. Se a preocupação é que haja algum tipo de atraso ou dificuldade, procure a escola e o professor, e veja como ajudar. Muitas vezes, será apenas uma questão de tempo e estímulos adequados.

– A criança tem a sua frente uma estrada longa, até chegar à leitura e a escrita da maneira que nós, adultos, a concebemos. Quando os pais compreendem o processo de alfabetização como parte da vida escolar das crianças, como uma entre as muitas conquistas ao longo de sua vida escolar, tendem a perceber esse momento de maneira mais tranquila, respeitando o tempo e o momento de descoberta de cada criança.O aluno necessita de sua família estímulo, apoio, carinho e incentivo para continuar. Assim, a alfabetização acontece de forma natural – ressalta Cláudia Seixas.

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