Saúde

Coleta de células-tronco em polpa de dentes de leite

Por serem jovens e de ótima qualidade, células podem ajudar no desenvolvimento de muitos tratamentos

Quando as primeiras “janelinhas” começam a aparecer no sorriso da criançada é uma festa. O dentinho de leite pode ser colocado debaixo de travesseiro  e levado pela Fada do Dente e  ainda virar um presente. Mas o que poucos pais sabem é que aquele dente – se retirado da forma correta – contém células-tronco capazes de ajudar no tratamento de diversas doenças.

A cirurgiã-vascular Adriana Homem, médica responsável técnica do Banco de Cordão Umbilical (BCU) explica que a polpa do dente de leite é uma fonte de células-tronco, que se destaca das outras pela grande quantidade de células à disposição e pela facilidade de sua retirada.

– Apenas em 2003, nos EUA, foi descoberto que a polpa dentária também possui células-tronco. Estas células possuem a mesma origem embriológica do sistema nervoso central e, por isso, ela tem uma melhor resposta para doenças neurológicas e traumas raquimedular. Elas são células mesenquimais, ou seja, capazes de se reproduzirem em qualquer órgão humano, inclusive músculos, ossos, gordura e cartilagem – afirma.

Trata-se de mais uma opção para quem não pode coletar as células-tronco do cordão umbilical durante o parto. Segundo o hematologista e diretor técnico da Criogênesis, Dr. Nelson Tatsui, as células-tronco encontradas no dente de leite são multipotentes e imunotolerantes, ou seja, servem tanto ao doador como para a sua família.

– Por serem células jovens e com ótima qualidade, elas são potencialmente excelentes para o tratamento de doenças degenerativas num futuro próximo. Cabe ainda continuar as pesquisas clínicas nesta área. No entanto, resultados promissores já estão aparecendo – destaca o especialista.

A razão por ainda ser menos conhecida é porque a técnica de retirada ainda é nova no Brasil, regulamentada há dois anos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De acordo com a Dra. Adriana, o dente precisa ser extraído no consultório, pois as células morrem quando o dente cai naturalmente.

– O especialista possui todos os materiais para uma extração sem dor. Além disso, os laboratórios oferecem o necessário para que o dente seja armazenado da forma correta, pois não basta apenas guardar o dentinho – alerta.

Em seguida, o material coletado é encaminhado ao laboratório para o processamento e armazenamento. O processo tem um custo fixo para o cultivo, transporte, processamento e manutenção dentro dos tanques de nitrogênio no laboratório contratado. Além do custo do dentista que fizer a extração. Os valores variam de empresa para empresa.

– Ao chegar no laboratório, as células-tronco são extraídas da polpa do dente de leite. A partir daí, elas serão processadas e depois armazenadas em tubos onde serão resfriadas e depois congeladas em nitrogênio líquido a -196°C. Elas podem ficar congeladas por tempo indeterminado.

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