Aborto espontâneo

Aborto espontâneo

O risco de abortamento é de 20% e em 80% dos casos ocorre até a 12a semana de gestação

Abortos espontâneos nas primeiras semanas de gestação são bastante comuns. É muito triste, mas o risco de uma gravidez evoluir para um abortamento é de 20%, ou seja, acontece em uma a cada cinco gestações, explica a ginecologista e obstetra Cristina Carneiro.

– Se considerarmos as gestações subclínicas ou não diagnosticadas esse índice chega a 30%. Com o avançar da idade, o risco de abortamento aumenta gradualmente, chegando a 40% aos 40 anos e 80% aos 45 anos – afirma.

É considerado abortamento a gravidez que é interrompida antes de o feto ser viável para a vida fora do útero, assim considera-se aborto um feto com menos de 500g ou 22 semanas de gestação, segundo a Organização Mundial de Saúde.

– Cerca de 80% dos abortamentos ocorrem até 12 semanas de gestação e o risco vai diminuindo com o avançar da idade gestacional sendo que após a 15° semana este cai para menos de 0,6%.

Segunda ela, há uma série de possíveis causas para o abortamento espontâneo tais como anormalidades cromossômicas, alterações uterinas (que dificultam a implantação do embrião e a vascularização), doenças congênitas (útero bicorno, unicorno e etc) ou adquiridas (miomas, polípos e aderências), e ainda fatores endócrinos (ligados à produção de progesterona, à tireóide e outros), imunológicos (que, em geral, são a causa de abortamentos de repetição) ou infecções (como rubéola, toxoplasmose, sífilis e outras).

– As anormalidades cromossômicas são a principal causa, responsável por até 50% dos casos de abortamento precoce. Ocorrem graças a gametas anormais, fertilização anômala ou alterações na divisão embrionária. Ocorrem ao acaso, não tendo relação com alterações genéticas da mãe ou do pai. Mas, na maioria das vezes não se determina a causa do abortamento – explica a médica.

O aborto espontâneo geralmente se inicia com sangramento acompanhado ou não de dor. Por isso, qualquer sangramento na gravidez deve-se procurar o serviço médico. Quando o diagnóstico de que a gestação parou de evoluir é realizado por ultrassonografia, ou seja, a gestante não apresenta qualquer sintoma de sangramento ou dor, a conduta depende da idade gestacional.

– Quando é início de gestação, isto é, antes de 12 semanas, o ideal é esperar o corpo eliminar espontaneamente, pois na maioria das vezes o abortamento é completo e nem é preciso fazer qualquer outro procedimento. É realizado uma ultrassonografia pós-sangramento para confirmar que o útero está limpo, sem qualquer resto embrionário. É possível esperar por até 1 mês o início do sangramento. Quando não apresenta sangramento ou quando após o sangramento ainda apresenta restos é necessário fazer a curetagem uterina ou a AMIU (aspiração manual intrauterina). Nos casos de gestação com idade gestacional mais avançada é necessário fazer o esvaziamento uterino – recomenda.

Segundo a obstetra, do ponto de vista físico, após um abortamento deve-se aguardar cerca de dois meses para começar a tentar engravidar novamente. A boa notícia é que, na maioria das vezes, a gestação seguinte ocorre dentro da normalidade. A médica recomenda que, uma vez o luto vivido, a mulher inicie a ingestão de ácido fólico cerca de três meses antes de começar a tentar engravidar novamente e não ficar preocupada de haver um novo aborto, porque muito provavelmente isso não acontecerá. No entanto, se houver um segundo ou terceiro aborto é necessário investigar o que acontecendo, pois podem ser problemas imunológicos, que em muitos casos podem ser tratados.

 

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