Síndrome de Couvade

Síndrome de Couvade

Homens também podem sentir sintomas relacionados à gravidez

Que a maioria das mulheres sentem enjoos ou algum tipo de desconforto durante a gravidez todo mundo sabe. Mas o que muita gente talvez desconheça é que os homens também podem sentir sintomas relacionados à gravidez, enquanto “esperam” o bebê ao lado de sua companheira. É a chamada Síndrome de Couvade, bem mais comum do que se imagina.

– A síndrome foi relatada por um antropólogo, primeiramente, em 1865, e veio do verbo francês “couver”, que significa “chocar”. Não é uma síndrome tão rara, e um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, há mais de sete anos, revelou que mais da metade dos homens apresentava indicadores do sintoma de gravidez parecidos com os de suas esposas. Entretanto, percebe-se que há pouquíssimos estudos no Brasil que apontem maiores conhecimentos sobre as vivências e sentimentos dos pais no pré-natal e no pós-parto – diz a psicóloga, psicanalista e psicoterapeuta de família e casal, Aline Vilhena Lisboa.

Segundo Aline, que também é doutora em Psicologia Clínica, os sintomas são de origem inconsciente e variam de acordo com o momento da gestação e no pós-parto:

– Eles podem ser desenvolvidos a partir da mobilização sentida pelo homem diante da gravidez da mulher, período de muita transformação do corpo dela e da relação entre o casal. Alguns sintomas físicos e emocionais podem acontecer, como enjoo, maior apetite, insônia, irritabilidade, depressão, tensão e, em alguns casos, até gagueira, revela a pesquisa.

Não se trata de uma doença, mas é recomendável procurar ajuda caso os sintomas atrapalhem o dia a dia do futuro papai.

– Partimos do princípio de que todo sofrimento psíquico deve receber uma atenção especial. O homem pode sentir todos os sintomas e não atingi-lo em sua vida, de um modo geral. Em outros casos, ele pode comprometer a atividade laboral e, principalmente, a relação do casal. Nestes casos, uma consulta de orientação clínica com um psicoterapeuta de casal seria o mais recomendável – orienta Aline.

Ainda de acordo com a psicóloga, não há estudos que relacionem a síndrome de couvade a um comportamento diferenciado entre o homem e seus filhos após o nascimento, como, por exemplo, ser um pai mais presente do que os homens que não apresentaram a síndrome.

– Não necessariamente o pai com a síndrome é representante de pai mais presente, se considerarmos o ponto de vista psíquico e afetivo. Necessitamos de um estudo longitudinal para afirmarmos esta hipótese. O antropólogo Tylor, que identificou este comportamento, mostra que os homens sentem-se assim por legitimarem a sua “cria” e garantirem a proteção da crianças e da mãe contra os “espíritos maus” por meio do resguardo deles durante e após o parto – explica.

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