Amamentação e transição alimentar

Amamentação e transição alimentar

Leite materno, papinha de frutas, água. Tudo a seu tempo na dieta do bebê

Quando o assunto é alimentação de bebês, poucas pessoas discordam da importância do leite materno. Campanhas nacionais e internacionais orientam a amamentação exclusiva até os seis meses. Mas e quando a mamãe não tem leite ou, mesmo quando amamenta, precisa voltar a trabalhar antes de o bebê completar seis meses? A pediatra Graciete Vieira, secretária do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), respondeu a essas e outras perguntas do Quem Coruja sobre a transição alimentar do bebê. Confira.

Quem Coruja – A recomendação é que bebês até seis meses sejam alimentados de forma exclusiva pelo leite materno. No caso de bebês que usam fórmulas, este aleitamento também deve ser exclusivo até seis meses ou, neste caso, deve-se oferecer água ou outro tipo de alimento?
Dra. Graciete – Sim. No caso de uso fórmulas infantis é recomendado oferecer água ao lactente nos intervalos do leite artificial. A composição dos leites infantis é diferente do leite materno e requer o uso de água adicional.

Quem Coruja – Papinha de fruta pode ser oferecida antes dos seis meses, no caso de licenças-maternidade mais curtas, quando a mãe, mesmo ainda amamentando, não consegue deixar leite suficiente para o bebê?
Dra. Graciete – Sim. O Ministério da Saúde admite a introdução de papas de frutas após o quarto mês de vida do lactente, como modo de preservar a manutenção do aleitamento materno. Introdução antes desta idade, não é recomendada, pois o tubo digestivo da criança não está preparado para receber esses alimentos, muito precocemente. As frutas devem ser oferecidas amassadas in natura, ao invés de suco que possuem baixa densidade energética.

Quem Coruja – A partir de que idade o leite materno não deve mais substituir nenhuma refeição, mesmo que o bebê ainda mame?
Dra. Graciete – A recomendação é de aleitamento materno exclusivo até 6 meses. A partir de então deve-se iniciar os alimentos complementares, ou seja, papa de legumes e de frutas e manter o aleitamento materno por dois anos de idade ou mais.

Quem Coruja – Geralmente, o pediatra que acompanha o bebê vai receitando o cardápio e liberando os alimentos de acordo com o desenvolvimento do neném. Quais são as dúvidas mais comuns das mamães em relação à alimentação dos bebês?
Dra. Graciete – As dúvidas sobre o início da alimentação são muito frequentes. O pediatra deve estar atento e ajudar as mães, para que as dúvidas sejam esclarecidas e não impliquem na interrupção precoce do aleitamento materno. Uma das dúvidas frequente é por quanto tempo amamentar e como fazer o desmame. Neste quesito, lembrar que os benefícios da amamentação têm efeito dose-resposta e a recomendação é amamentar por dois anos ou mais. Assim, amamentar pelo tempo que a mãe e o filho decidirem. O modo ideal de se fazer o desmame é de maneira natural e de modo gradual, até que a criança abandone espontaneamente o peito. A interrupção abruta do aleitamento materno deve ser desencorajada.

Quem Coruja – Muitas pessoas não acreditam que o leite materno possa substituir a água em dias muito quentes, e acabam oferecendo água para bebês com menos de seis meses. Que tipo de problema isso pode causar?
Dra. Graciete – Um dos principais motivos para a redução do leite materno é o início de outros alimentos precocemente e o uso de mamadeiras. O uso da mamadeira vai ter um impacto negativo na produção do leite materno, com redução deste, pois a sucção do peito é um estímulo para produção do leite. Além disso, o uso de água e de mamadeiras aumenta o risco de infecções por bactérias e de diarreias, importante causa de internamentos de mortalidade infantil.

 

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